Jaquelline

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Eu era uma criança que sonhava em ver TV. Sou nordestina, do interior do Ceará, e fui criada numa fazenda, numa família muito humilde, muito pobre mesmo. A gente não passou fome, porque lá a gente plantava para poder se alimentar, mas a gente passou necessidade, sim; fui criada num ambiente sem luz elétrica, sem TV, não tinha nada. Na minha mente eu idealizava o pica-pau, ficava imaginando como seria bom ter uma TV. Por mais que eu tivesse uma infância bem sofrida, bem precária mesmo, eu lembro de pontos bons, onde eu brinquei bastante com os meus amigos, subi árvore e essas coisas, e machuquei bastante, mas faz parte, nê? [risas].

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Eu vim pra cá, no Rio de Janeiro, de ônibus quando eu tinha 15 anos de idade. Minha mãe me colocou dentro do ônibus e me falou: “lá tem uma irmã minha e você vai morar com ela”. Eu vim parar aqui sem nem conhecer a minha tia, mas quando eu cheguei na Rodoviária realmente de cara reconheci ela, porque ela tem a cara da minha mãe. Quando eu cheguei aqui na Maré, imagina! Aquela menina do interior, igual a um bicho do mato [risas], sem conhecer nada; pra mim foi tudo novo. Acho que em um ano me adaptei. Eu morei com minha tia pouco tempo, sendo que com 17 anos ela me expulsou da casa dela. Foi aí que eu descobri como ficar independente, me virar, me sustentar sozinha, e foi nesse período que abandonei os estudos.

Trabalhei em várias empresas, em restaurante, em lanchonete em Copacabana para sobrevivência. Nesse período também, as portas se fecharam para mim; eu não arrumei trabalho nenhum e morei um período na rua, então para eu sobreviver entrei no mundo da prostituição. Depois disso eu fui trabalhar numa casa de família, ser doméstica, também para sobreviver. Então a minha vida, no caso, foi isso. Me envolvi com várias coisas até chegar onde eu estou hoje. Desde pequena eu fazia unha por brincadeira. Na adolescência eu fazia, e no caminho despertou um interesse de trabalhar com isso. Quando eu comecei com esse negócio aqui em casa eu já tinha uma clientela, mas não tinha tanta. A propaganda foi mais “boca-a-boca” na indicação, uma trazia a outra, e uma coisa que me ajudou e me ajuda muito até hoje na divulgação do meu trabalho é o próprio Facebook, as redes sociais. Aqui nesse espaço eu tenho um ano e alguns meses, e eu agradeço a Deus porque em pouco tempo eu já tenho uma boa clientela, já dá para me virar realmente bem.

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Eu tive meu primeiro encontro com Deus quando eu tinha 20 anos. Eu tinha acabado de ter minha filha, ela tinha nove meses de idade, ela era uma bebê prematura, ela era muito doente, e eu tinha acabado de passar pela minha última tragédia sentimental, que foi meu ex-relacionamento com o pai dela. Poxa, minha família estava no nordeste, minha tia tinha me abandonado e eu estava sozinha, literalmente, aqui na Nova Holanda. E aí foi quando eu recebi um convite da minha própria tia que falou: ”vamos na igreja comigo”. Eu era muito católica desde a minha infância e eu achava os evangélicos muito estranhos, achava que eles gritavam muito, eu achava: “esse povo é tudo louco” [risas]. Só que quando eu entrei nesse dia, eu senti um atmosfera diferente. Eu não estava gostando daquele lugar, não queria ficar naquele lugar, mas no fundo eu sabia que ali era a solução pros meus problemas. No fundo do meu coração, eu sentia uma paz. Voltei pra casa com minha filha muito doente, e eu falei: “eu decidi do meu coração, no próximo encontro, eu vou estar lá”.

Na segunda reunião eu fui sozinha. Eu lembro que mais uma vez eu fiquei incomodada com o sermão que o pastor estava pregando, eu lembro que ouvi o louvor no final da reunião e eu lembro que eu falei no meu coração: “Deus, eu acredito na tua existência, por que é que o Senhor permitiu que eu sofresse tanto?” Se eu te contar realmente o tudo em detalhe que eu passei, você vai achar que isso é história minha, que eu não passei por tudo isso. Eu não sei como eu sobrevivia as tantas porradas que a vida me deu. Eu lembro que naquele momento eu falei: “se tu existe mesmo então olha para mim hoje, agora, porque eu não aguento mais sofrer”. E foi quando eu tive uma visão sobrenatural, foi como se tivesse chegado o meu dia, a minha hora. Não consigo explicar direito, foi uma coisa muito forte, uma luz, um relâmpago, e eu só lembro que aquilo mexeu com minha estrutura, eu cai de joelho no chão chorando em prantos. Após aquela visão que eu tive eu mudei radicalmente a minha vida: eu mudei de veste, mudei de comportamento; eu bebia todos os dias e eu parei de beber de uma hora para outra e comecei a ler a bíblia para poder conhecer quem era Jesus, e foi quando o amor por Ele foi aumentando e aumentando. Pela razão você vai pensar, “ela deve ter imaginado, a mente dela estava tão fragilizada”, mas eu acredito na fé.

Eu conheci meu marido na igreja. Diz ele que já estava um ano olhando para mim, mas eu nunca tinha visto esse garoto! Quando conheci ele eu já estava decidida ficar sozinha, não queria mais ninguém na minha vida porque eu passei por muitas decepções traumáticas na área sentimental. Aí ele começou a ficar interessado em mim, e quanto mais eu dava fora nele ele insistia, parecia que ele gostava de levar fora. Eu falava: “garoto, vai embora da minha vida, você é feio, você é horroroso, você é preto e eu não gosto de pessoas negras, eu só namoro branco”. Tadinho! [risas].E ele falava: “eu vou te conquistar, eu vou te conquistar”.  Depois de tanto fora que eu dei nele, ele não desistiu, e com a insistência dele ele mostrou para mim que eu era especial. Isso foi quando eu resolvi dar um sim para ele.

Foi nove meses de namoro, noivado e casamento. Eu tinha certeza que ele era o homem certo para mim, mesmo não estando apaixonada por ele. Porque eu casei pensando: “ele é um homem de carácter, um menino de família, ele vai dar um bom marido é um bom pai para minha filha”. E realmente eu nem arrependo da minha escolha; o amor, a paixão veio depois pela gratitude dele. Vendo ele assumir a minha filha como se fosse dele mesmo, foi muito fácil amar ele. Ele não é tudo para mim porque eu não posso amar mais ele do que eu amo a Deus, mas é como se Deus me desse ele como uma resposta para tudo que eu queria na vida inteira. É assim que eu vejo ele, alguém na terra que veio para suprir a família que eu não tive, questão de pai e mãe e tudo.

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E hoje eu tenho uma família, e é por isso que eu valorizo muito. Por mais que um filho fale: “ih, meu pai é tão chato, pega no meu pé”, tudo que ele quer é pro bem do filho. Porque durante toda minha infância eu queria ter um pai chato, uma mãe chata, que me falasse: “para de fazer isso”. Quando eu fazia essas coisas erradas, no meu íntimo, no meu interior, eu clamava querendo alguém. Teve um dia em que eu tinha 18 anos e eu ficava pensando: “será que eu encontro alguma família para me adotar?” Eu olhava para os adolescentes que tinham mãe, que tinham pai, que tinham alguém que protegesse eles, eu olhava e desejava aquilo. Então hoje eu transfiro essa disciplina para minha filha, porque eu sei que o filho sem disciplina, ele fica perdido, eu passei isso na pele. Está em efésios, acho que no capítulo cinco que fala para os filhos honrarem o pai e a mãe para que seus dias sejam prolongados nessa terra. É uma ordem, um mandamento de Deus. E por eu não ter tido isso, isso prejudicou muito a minha vida. É por isso que hoje eu faço de tudo para que a minha família viva os padrões de família. Não é uma família perfeita, tenho uns problemas com meu enteado, mas são problemas que eu supero de boa.

Daqui a dez anos, se Jesus Cristo não tiver voltado aaah! [risas] tem que falar isso, que a gente, pela fé, vive e espera a volta dele, do Messias eu preciso voltar e terminar meus estudos, iniciar uma faculdade, de preferência nessa área que eu estou, na área de estética, e eu tenho um sonho de ter uma rede de salões. Mas principalmente eu quero que os meus filhos sejam uma mulher e um homem de caráter, que eles não se contaminarem com as facilidades que a vida dá, que eles sejam bem sucedidos profissionalmente, que eles se casem bem futuramente e que eles sejam pessoas felizes. E o que eu puder fazer para evitar os traumas que eu passei, eu vou fazer para que eles não passem. É por isso que eu quero que eles sejam um homem e uma mulher de caráter e principalmente um homem e uma mulher de Deus, cheios do Espirito Santo.

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3 comentários sobre “Jaquelline

  1. Uma linda mulher, tanto por dentro quanto por fora, que o Senhor te ajude sempre, que por meio da sua vida e do seu trabalho você possa alcança vidas, mulher cheia do conhecido de Deus e cheia do Espírito Santo, mulher que tem o aroma de Jesus, e como é bom viver perto de gente que tem o aroma de Jesus!!! ❤️ Bjs e sucesso!

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  2. ….verdade jaqueline foi isso mesmo q aconteceu na sua vida,mais Deus tocou em seu coração e te mostrou o caminho certo!
    Parabéns por ter superado tudo isso…😘😘😘😘

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