Ronaldo

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Minha vida foi essa aí desde pequeno: só trabalho, trabalho, trabalho. Na vida tem que estudar, mas tive que parar. Fui trabalhar como ajudante de eletricista, trabalhei quatro anos num supermercado em Botafogo que faliu, trabalhei na fábrica de corda em Bonsucesso, fui cobrador na Rodoviária, trabalhei como porteiro em uma empresa dinâmica também localizada em Bonsucesso. Aí, quando eu tinha vinte anos, meu irmão começou a montar uma loja de refrigeração. Eu trabalhava de porteiro (um dia sim, um dia não), e nas minhas horas vagas eu vinha trabalhar com ele. Agora já faz uns vinte anos que estou aqui. Foi só isso, só trabalhar até hoje, e não parar.

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Gosto desse trabalho aqui. No dia a dia é tranquilo. Se você vem aqui no inverno, na primavera, está todo mundo aqui sentado, mas no verão ninguém tem descanso, ninguém tem tempo para nada. Agora, no momento, que vai vir (o verão), esse sol quente, tem muitos clientes quem precisam de você. Todo mundo tem ar condicionado e a gente sempre está fazendo instalação e manutenção, usando química para limpar. Além dos nossos assistentes, somos três aqui: tem eu, meu irmão que é o dono e meu outro irmão que mexe com aparelho além da profissão dele, que é motorista. Ele solda inclusive mais do que eu.

O melhor de trabalhar é com certeza lá fora. Eu vou lá, dou lançamento (o valor é tanto) e a pessoa fala: “claro, pode fazer!”. Ela não quer saber o valor, ela quer ter um aparelho bom. Aqui não, aqui a gente fala o valor pro cliente e às vezes o cliente reclama, se acontece algum problema ele fala que a gente não fez o serviço direito. Tudo bem, ele pagou e a gente vai lá para resolver o problema dele, porque a gente dá garantia de 90 dias. Mas o melhor de trabalhar é sair fora: aqui perto todo mundo te conhece, não respeita, não dá valor a sua profissão, lá fora o pessoal dá mais valor. No momento a gente está com pouco cliente lá fora porque é a sociedade deles. Nossos melhores clientes são da cidade universitária, no Fundão.

Sofri um acidente recentemente trabalhando fora. Quando estava fazendo uma instalação, pisei na telha, sofri a queda, quebrei a bacia. As pessoas pensaram que fosse ladrão, ligaram para polícia, mas depois a ambulância veio, me pegou, me levou pro hospital onde fizeram a cirurgia. Agora eu estou pelo INSS, tem três meses para me recuperar. Não é uma coisa que estou acostumado a fazer, tomar uma queda e ficar parado assim. Antes não podia sentar, não podia levantar, não podia andar. Está sendo difícil ficar parado, mas tem que esperar, que não adianta fazer as coisas expresso, assim não vai dar certo. Graças a Deus que não bati na cabeça, que estou bem, que estou me recuperando bem, só que agora estou sentindo muitas dores ainda.

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Sempre morei aqui no Rio. Morava em Duque de Caxias, e de Caxias vim morar aqui na Nova Maré quando tinha 10 anos. Somos seis irmãos, três meninos e três meninas, todos se casaram. Só tem uma que mora em Caxias, o restante mora perto, todo mundo ajuda um ao outro, a gente está sempre se vendo. Tenho uma filha, agora uma mulher, que está com treze, catorze anos, eu e a mãe dela somos separados. Ela e o meu sobrinho foram nascidos e criados aqui na Nova Maré. Não tenho nada a falar contra aqui não, é tranquilo. Tudo que a gente tem é perto: se você quer ir para Copacabana, para Caxias, para Nova Iguaçu, é tudo perto; tem um mercado perto, uma açougue perto, uma padaria perto, é só travessar a passarela. São coisas que são totalmente diferente da zona sul: lá tudo é distante, o ônibus é distante, tem que pegar taxi. Ainda na comunidade o que não tem é cinema, está faltando aqui um cinema. Fora isso não tenho nada que reclamar, é show de bola.

Gosto de tudo um pouco. Sou eclético, não tem nada que eu não goste de fazer: jogar bola, correr, todas atividades eu gosto um pouco, as músicas também; sair, passear, dançar, fazer churrasquinho no final de semana. Eu estou agora congregando na igreja congregacional, já fui da Universal, e agora estou na congregacional. Não vou dizer que eu sempre fui religioso, porque quando minha família foi morar aqui a gente não era. Não sei se a minha mãe era também, acho que não era. Aí fomos conhecendo pessoal que evangeliza as pessoas, e através do pessoal nós passamos a ir. Quando eu era mais jovem eu ia para Suécia, tirei passaporte e tudo, estava tudo certo para ir para lá, mas lá na hora deu ruim. Mas como eu tirei passaporte, quando eu quiser agora, eu vou.

O que a gente espera do futuro é a melhoria, vamos esperando aí que tudo melhore, que tenha um mundo melhor, um Rio melhor, vamos ver o que a Dilma vai fazer. Daqui a dez anos eu não tenho nem como te dizer o que eu prevejo para mim, o futuro só a Deus pertence. Como posso te dizer que eu quero isso, que eu quero aquilo, que eu quero aquilo outro. É claro que a gente almeja muitas coisas na vida, pretendo sim abrir uma loja para mim, como eu já sei minha profissão, não para me vangloriar, só para falar: “eu tenho, é meu”. Tem que agradecer sempre, primeiramente Deus em primeiro lugar.

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